O dia amanheceu com muita claridade, era sábado dia 26 de Março de 2011, nenhuma nuvem, e o céu apresentava um azul outonal.
Faltavam alguns minutos para as 08h00, quando minha filha Isa ouviu um grande barulho que vinha da rua, seguidos por gritos de dor.
Correu até a sacada do apartamento, viu um carro em cima do passeio, duas pessoas estendidas no chão, bem como uma grande quantidade de frutas (banana, abacaxi, manga, mamão, melancia e outros), completamente espalhadas, ao caírem da carrocinha de madeira abalroada.
Ligou de imediato para o serviços de resgate (SAMU), que em menos de cinco minutos já estava no local prestando socorros.
Adriano, o dono da carrocinha de frutas, foi atingido por ela que tombou em cima dele com o impacto do veículo. Também uma senhora de nome Maria que passava pelo local, com seu cachorrinho na coleira, como fazia todas às manhãs, foi atingida pela carrocinha de frutas, e não conseguia levantar-se do chão.
Acordei com minha filha falando um pouco alto com o atendente do serviço de resgate e corri para a sacada do aptº para ver o que estava acontecendo. Ao constatar o acidente, peguei a câmara fotográfica, tirei a primeira foto, ainda no sétimo andar do apartamneto, troquei o pijama e desci para o local do acidente.
Encontrei no local as pessoas acidentadas sendo atendidas pelo Resgate, e uma moça vestida de vermelho, com uma criança no colo, chorando e repetindo que não sabia o que tinha acontecido. Era a senhora Noélia que dirigia o carro no momento da colisão.
Uma viatura da polícia chegou ao local e os dois soldados, muito educados e demonstrando muita experiência para lidar com estas situações, procuravam acalmar a senhora Noélia, e perguntavam para ela como tinha acontecido o acidente.
A família que se envolveu nesse acidente é composta pelo Sr André, Senhora Noélia, e pelo pequeno Pedro, filho do casal, com apenas 1,5 ano.
A família que reside na rua Eduardo Prado, na Barra Funda, saiu de casa logo cedo para levar o Pedro para uma consulta médica, uma vez que ele sofre de leucemia.
A senhora Noélia relatou aos policiais que trafegava pela Rua Barão de Tatuí, e ao dobrar à esquerda na Alameda Barros, o volante do veículo não retornou, e o veículo subiu a calçada atropelando a carrocinha de frutas, o senhor Adriano e Dona Maria.
Embora estivesse imobilizada e queixando-se de estar com muitas dores, Dona Maria pedia desesperada para os curiosos, que procurassem o seu cachorrinho, que apavorado, soltou-se da coleira e fugiu do local.
Algumas pessoas saíram à procura do cachorrinho e o localizaram na portaria do edifício onde ela reside, na Rua das Palmeiras, tendo sido recolhido pelo porteiro do prédio e entregue aos familiares dela.
Dona Maria ainda estava dentro da ambulância, quando foi informada que seu cachorrinho já se encontrava no seu apartamento, e esboçando um sorriso, agradeceu a Deus.
Os acidentados foram levados para uma Unidade de Emergência, situada na Rua Vitorino Camilo, na Barra Funda, e depois foram transferidos para o Hospital das Clínicas.
Fui informado no final da tarde, por minha outra filha que é enfermeira do HC, que os acidentados, tiveram alta, e que não sofreram fraturas em seus corpos.